sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Estou vivo. E me mexendo.

Dormir. Acordar, comer. Andar na praia. Comer, dormir.

Ver o mar. Melhor: ouvir o mar.

Às vezes tomar um banho de mar.

Ver um filme. Dormir.

Ler. Até bula de remédio e rótulo de shampoo e sabão em pó.

Comer, beber. Dormir.

Jogar carta com a avó. Dormir.

Ver TV.

Preparar a rede. Dormir.

Fruta gelada. Salada de frutas. Sorvete. Dormir.

Tenho que voltar. Compromisso seríssimo.

Está me dando um sono...

Abraço!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Poder descomunal

Durante um desses dias de férias, em pleno meio da tarde, eu estava assistindo o canal National Geographic quando um fato interessante ocorreu. Estava sendo apresentado um daqueles tradicionais "programas de bichinhos", que todos conhecem. O tema era os macacos. (Simpatizo com eles. As semelhanças conosco os tornam muito interessantes.)

O programa discutia hábitos, comportamento e relacionamento entre macacos. Uma passagem do programa, em especial, me chamou muito a atenção. Haviam três personagens: a mamãe macaca, o filhote dela e um macaco muito malvado.

A mãe macaca era feliz, pois tinha um filhote a quem dava amor e carinho. Feliz até o momento em que o macaco malvado roubou o filhote da mãe macaca, à força.

De longe, a mãe macaca observava seu filhote refém do macaco malvado, sem nada poder fazer. A mãe macaca estava uma fera, mas fisicamente era muito inferior ao macacão malvado. Como poderia ela então reaver sua cria?

Depois de um tempo, a mãe macaca resolveu se aproximar do macaco malvado. Nesse momento minha adrenalina começou a subir, a cena prometia. Eu pensei: "Esta macaca vai tentar a loucura de dar uns tapas no macacão e roubar o seu filhote na marra".

A mãe macaca se aproximou, devagar, devagarinho, como sugeriria o Martinho da Vila. O macaco malvado ficou observando, desconfiado. A macaca começou meio que a desfilar na frente do macaco. E o macaco observando. A macaca começou a dar uma voltinha na frente do macaco, que olhava, parado. A macaca virou de costas para o macaco, hipnotizado. A macaca remexeu levemente os quadris, provocando o macaco. Pronto! O macaco estufou o peito. Estava confiante de si. Ele era o macaco mais esperto de todo o reino animal! Agora o macaco era feliz, pois aquela macaquinha tava no papo! E a macaca continuava provocando. O macacão foi se aproximando daquela mãe em desespero. Se aproximando daquelas nádegas provocativas, como quem não quer nada e quer tudo ao mesmo tempo. Resolveu partir pros finalmentes. Se preparou, se aproximou e... pimba???

Que pimba que nada! Na última hora, antes que o macaco malvado encostasse nela, a mãe macaca girou com agilidade, passou a mão em seu filhote e fugiu, em disparada.

E o macacão? Nem se mexeu! Ficou olhando tudo, hipnotizado. Que babaca. Não esboçou a menor reação... Aparentemente não ficou nem irritado. Parecia continuar sonhando com o corpo insinuante da macaca mãe de família, de boca aberta. Definitivamente o macaco havia sido pego pelo seu ponto mais fraco.

Percebi, de uma vez por todas, que David Coimbra, em seu livro Jogo de Damas, realmente estava coberto de razão. O mundo é das fêmeas! Basta a elas saber utilizar inteligentemente o maior presente que a sábia Mãe Natureza lhes deu: o poder descomunal e sem limites sobre os machos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O descanso do guerreiro

Vamos falar de uma palavrinha diferente hoje. Ao menos para mim. Vamos analisar a fundo essa palavra, e seu significado. Não, meu objetivo não é mudar de profissão e virar professor do belíssimo idioma de Camões. Mas vamos ao que interessa.

A palavra de hoje é...

... Férias!

Segundo o Wikcionário, férias é o "período de folga a que têm direito trabalhadores e estudantes". Vem do latim fērīa (que eu não sei como se pronuncia). É direito do trabalhador, que se esfalfa durante um ano de atividade intensa.

Enfim, é o descanso do guerreiro. É tempo de ócio, de recarga das energias, de preparação para mais um ano de trabalho. É tempo de fazer coisas que não são feitas em outras épocas por simples falta de tempo. Tempo de dormir na rede, de ir à praia, de ver filme, de andar no parque, viajar... Escolha a atividade. Se ela não tem relação com o trabalho, está valendo.

Nem lembro da última vez em que tirei férias assim, como o nome diz. Férias de mais de 5 dias, com direito a dormir até mais tarde e cansar de não fazer nada. Acho que eu era um estudante imberbe, um jovem mancebo. Era uma época de estudos, cadernos, livros, provas de cálculo.

Bom, chegou o grande dia. Entrei em férias. Com a oportunidade de sair da área de cobertura. Com tempo de sobra pra fazer nada.

Eu gosto demais do meu trabalho. Suspeito fortemente que sentirei falta de trabalhar, de acordar cedo, dentro de alguns dias é muito provável que eu comece a contar os dias para voltar às atividades. Mas no momento, tudo em que penso é no descanso.

É isso. Quem inventou as férias? Não sei. Agradeço a essa alma bondosa.

E agora, com licença que tenho que fazer coisa nenhuma.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Sinal de luz

Indo para a praia, na estrada, percebo que o carro que vinha no sentido contrário, logo antes de passar por mim, deu um sinal de luz. Pronto. Na hora adivinhei que dali a alguns metros apareceria um carro da polícia rodoviária estacionado, com um policial ao lado empunhando um radar móvel.

Agora vem a enquete: Qual era o objetivo do motorista que passou por mim?

(a) Permitir que todo e qualquer motorista possa respeitar a lei apenas quando alguém estiver olhando
(b) Enganar os "inimigos policiais" que ficam atrapalhando a vida dos motoristas com besteirinhas como controle de limite de velocidade
(c) Perpetuar o jeitinho brasileiro
(d) Tolher a liberdade de quem deseja redefinir dinamicamente as regras de trânsito para que elas se adequem às suas necessidades momentâneas
(e) Emitir um aviso: "Cuidado... te liga... logo aí na frente o Brasil é levado a sério e as regras valem"
(f) Todas as alternativas anteriores

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Um círculo que começa a se fechar...

Bem, antes de adentrar no assunto específico, eu gostaria de retornar a aproximadamente nove anos atrás. Numa época que, tenho certeza, marcou não somente a minha vida, mas de muitas pessoas queridas. O verão de 1999.

Naquela época quente, nossas vidas acabaram recebendo um grande e positivo "sacolejo": fomos aprovados em um dos melhores cursos de computação do país. Passamos por um processo seletivo deveras "puxado", que nos colocou em competição direta com outros 13 jovens por uma única vaga. Alguns de nós vieram de longe (e põe, longe, né Pó!), outros de um longe já não tão longe assim, aqui mesmo de Porto Alegre, e outros do meio termo (ãrh, do Humaita). Mas o importante é que, juntamente com outros jovens ávidos por um novo mundo que se abria: nós entrávamos na faculdade!!!

Tudo era novo, tudo era interessante! O segundo grau se tornava uma página virada. Me lembro como se fosse hoje da primeira conversa com o Sanger na fila da matrícula. Os assuntos em voga na época eram o trote, as cadeiras, o RU, o dacomp, o churrasco do trote, e como sobreviver aos veteranos. Como encarar os desafios? Como se relacionar com todas aquelas pessoas diferentes, vindas de toda a parte, com a qual compartilhávamos as nossas espectativas de futuro?

Em pouco tempo, tivemos que nos acostumar com muitas coisas: a rotina estuda/estuda/faz trabalho/estuda/faz trabalho/ e estuda mais um pouco, a viagem até o campus, a distância dos pais, amigos antigos e da vida adolescente. Enquanto crescíamos e amadurecíamos, íamos mudando nossos hábitos, valores, fazendo provas e tentando nos adaptar. Em certos aspectos, ainda éramos crianças. Em outros, já tínhamos a consciência da responsabilidade que nos era depositada. Em pouco tempo, seríamos cobrados por isso, e deveríamos prestar contas!

Ao longo do processo, atuando tanto como gurus quanto como lordes do mal, e, por vezes, sendo ambos ao mesmo tempo, estavam eles. Os professores. Muitos fantásticos: Weber, Medianeira, Lizandro, Nina... Outros nem tanto: não citarei nomes. Mas todos acabaram fazendo parte da nossa vida. Foram, por certa epóca, nossos "mestres do mago", nos propondo desafios, dando alguma charada criptográfica e saindo de cena rapidamente enquanto caíamos no desespero e tentavamos assimilar a matéria em longas tardes de estudo na biblioteca.

Da metade para o final do curso, eles se tornavam cada vez mais próximos. Já nos sentíamos em casa nesta instituição. Precisávamos pensar no trabalho de conclusão. Muitos de nós estavam trabalhando para eles, como bolsistas: já fazíamos parte do ecossistema da universidade. Outros, ingressavam no mercado, e começavam a trilhar seu próprio caminho. Para estes, os professores representam a fonte do conhecimento que eles repassariam para o ambiente, ou, pelo menos, possibilidade de interação entre a sua empresa e sua instituição de ensino.

Na formatura onde colei grau, (que, não foi exatamente a que tomo como "minha formatura", visto que esta ocorreu seis meses mais tarde...), eu me lembro de ter dito que me inspirava em muitos mestres. Eu disse que tinha vontade de me juntar à equipe, um dia ser um deles. Desde este ponto, vejo que trabalho com este objetivo em mente. Após meu mestrado, tive minha primeira oportunidade, no Monteiro Lobato. De certa forma, lá eu mais aprendi que ensinei, muitas vezes nas dificuldades. De volta ao lugar que considero minha casa (a UFRGS), tenho tentado me manter em sala de aula através de atividades didáticas. Eu realmente senti muita falta da alegria que é compartilhar conhecimento e acompanhar a evolução dos alunos.

Mas agora, vocês devem se perguntar a razão de eu recorrer a tantas lembranças, de tanto tempo. Por que afinal de contas eu me apego a tais recordações? A vida passa, as coisas mudam. Teria eu me prendido no passado?

Eu diria que não. Certo sim, que sou muito feliz em recordar tudo que vivi, e todos os momentos que me fizeram ser que sou hoje. Mas certo também, de que em algum ponto, no início de tudo, algo em mim havia feito sentido: era justamente isso que eu queria para minha vida. Eu estava exatamente onde queria estar. Para mim, enquanto aluno, passar por este curso foi algo de intenso crescimento (e por muitas vezes angústia) que me fez amadurecer. Fiz grandes amigos, cresci tanto como pessoa e como profissional. Agora, eu gostaria de poder acompanhar isso tudo, mas sob uma outra ótica. A ótica de quem observa, propõe desafios, e inspira (ou pelo menos se esforça ao máximo para isso). A ótica de quem se frustra ao ter que corrigir um prova que sabe que não obterá a média mínima para passar. A ótica de quem sabe que tem a responsabilidade imensa, e que aquelas pessoas que porventura passarão por aquela classe um dia poderão fazer verdadeiras mudanças na sociedade. E da responsabilidade de poder influência-las (se tudo der certo, positivamente).

Vamos aos fatos: no final da semana passada fui aprovado no processo seletivo para professor substituto do departamento de informática teórica! :)

Estou imensamente feliz. Provavelmente serei responsável por uma turma de primeiro semestre. Terei o privilégio de acompanhar esta turma que virá em seus primeiros desafios nesta universidade. Ao mesmo tempo que estou feliz, estou bastante preocupado, e ciente do trabalho que isto acarretará. De qualquer forma, agora eu tenho a oportunidade de fazer alguma diferença... e não quero deixar ela passar!

Neste exato momento, tudo desde aquele verão de 1999 me vem à mente. Sinto que um círculo começa a se fechar...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008



Tem origem na antigüidade, e um significado simples: o anel, um círculo perfeito, é um enlace, um acordo, uma aliança. Pois o círculo não tem início nem fim. É o mesmo que se deseja: uma relação duradoura, que não tenha fim....

A aliança significa elo, ligação, compromisso. Que o ciclo do amor com o(a) companheiro(a) sempre tem continuação por mais que surjam problemas.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mente vazia

Eu sou um cientista da computação. Eu sou mestre em computação também. Durante cerca de 8 anos de faculdade treinei meu cérebro ao extremo, moldando-o para o raciocínio exato, para o método científico, para o pensamento lógico.

Este desenvolvimento de raciocínio que nós das exatas adquirimos é perfeito para nossa profissão e muito útil na vida como um todo. Como é bom, em qualquer situação do dia-a-dia, conseguir distinguir claramente causas e conseqüências, analisar uma série de premissas, classificar fatos, repassar tudo para nossa máquina de inferência e de forma lógica resolver um problema. É muito útil, é como se entendêssemos o mundo que a maioria não entende, e nem sabe que não entende. Conseguir categorizar e isolar os aspectos importantes de um assunto, os quais, para uma mente não-científica, poderiam ser uma nuvem cinza impossível de distinguir. Enfim, somos máquinas de analisar, classificar, concluir. Somos máquinas de bolar algoritmos. Somos máquinas de solucionar problemas matemáticos. Somos máquinas de inferência, super-azeitadas.

Só que toda essa habilidade com a lógica e a exatidão nem sempre são vantajosas. Espero que todos concordem que, de vez em quando, é preciso dar um descanso para esta máquina. O problema é que as vezes a gente pode querer relaxar e pode não conseguir. Eu gostaria de relaxar minha máquina de inferência completamente, nem que por espaços de tempo curtos. Para mim, isto não é tarefa fácil. Juro que já cheguei a sentir inveja de pessoas que não têm essa visão tão mecânica e lógica das coisas que eu tenho. Quero deixar claro que relaxar a máquina de inferência não é apenas sair de férias. É perfeitamente possível estar em uma praia, sem nenhum compromisso, relaxando o corpo, mas estar com a mente ainda assim afiada, ávida por lógica.

Meu cerébro sabe que é preciso relaxar, não ser tão cientista. Racionalmente, eu consigo perceber que minha vida será melhor se eu me permitir ser menos racional. Então, racionalmente eu me permito ser menos racional. Mas aí está o problema: até na hora de relaxar eu sou racional, poxa!

Como deve ser bom, as vezes, falar coisas sem antes verificar a corretude, sem antes verificar todos os argumentos, contra-argumentos e contra-contra-argumentos que poderão decorrer da opinião emitida.

Como deve ser bom agir por impulso, apenas por emoção, falar aquilo que racionalmente seria um absurdo falar.

Como deve ser bom calar este raciocínio lógico!

Como deve ser bom estar com a mente vazia, sem pensar em nada. Sem raciocínio, sem lógica, sem inferências. Imaginem, que sensação suprema! Mente vazia, por completo! Meditação deve ser o máximo!

E não é só vontade de silenciar a mente que eu tenho! Não é de hoje que eu sinto necessidade de buscar algo a mais do que ciência. Dizem que quem busca algo a mais, deve começar procurando dentro de si próprio. Vai saber.

Em todo caso, para os curiosos, lá vai um dos meus focos de interesse no momento:

http://www.namaste.com.br

Se tu fores acessar, tente não racionalizar tanto. Não vai dar uma de Sanger, por favor. Ah, e tente ler despido de preconceitos :-)